A Palmares Lab atualiza sobre sua participação na COP30 com uma das atuações mais robustas da organização em conferências internacionais, marcando um novo posicionamento da instituição como um polo de inovação periférica, tecnologia social e incidência climática na Amazônia. Com presença simultânea em espaços como a Blue Zone, a Green Zone e em diversos espaços alternativos pela cidade de Belém, a Palmares ecoou sua voz como uma das referências na intersecção entre clima, justiça social, juventudes e periferias.
Para além da Blue e da Green Zone, a Palmares Lab demarcou sua própria zona em parceria com a Chibe e iniciativas comunitárias: a Zona das Águas. Um espaço simbólico e político que coloca as ilhas de Caratateua, Icoaraci e Cotijuba no centro do debate climático e de saneamento básico. Ao reivindicar que as periferias ribeirinhas também são zonas de decisão, a Palmares desloca o eixo da COP para onde a crise realmente bate primeiro: a água contaminada, a ausência histórica de infraestrutura e a resistência cotidiana de quem vive entre marés, enchentes e abandono do poder público
A diretora executiva da Palmares Lab, Vitória Pinheiro, destaca que esta COP representou um salto qualitativo na articulação da organização em escala regional e internacional. “A Palmares teve uma presença muito marcante. Decidimos fazer uma COP triangulada: incidimos na Blue Zone com negociações e articulações, na Green Zone com eventos, lançamentos e debates, e também nas ruas, nos espaços alternativos, nos encontros que fazem parte da vida real das comunidades amazônicas.”
Ao longo da conferência, a organização promoveu e participou de lançamentos de livros, cartilhas de advocacy e debates voltados especialmente para infâncias, juventudes e adaptação climática, pilares centrais da atuação da organização. Um dos destaques está no o lançamento da Cartilha Nossa Decisão Climática ganha relevância ao propor recomendações concretas ao governo brasileiro para a revisão da NDC nacional.
Fruto de escutas, entrevistas e oficinas, a Palmares Lab reuniu vozes e experiências de jovens de diferentes territórios e elaborou recomendações que orientam como o Brasil pode incluir efetivamente essa geração na formulação de políticas climáticas nacionais.
Outro ponto importante ocorreu durante a COP 30, a Palmares Laboratório-Ação anunciou um investimento de R$ 2 milhões para a consolidação de seus Hubs de Inovação Periférica, em desenvolvimento entre Manaus e Belém, com expansão prevista para João Pessoa. Vitória destaca a importância desse investimento: “Esses Hubs nascem para operar a partir do conceito de cidade-floresta: inovação centrada em periferia, bioeconomia como prática ancestral, e tecnologia social como um caminho de futuro. As periferias já fazem economia verde. Nós só estamos nomeando o que já existe.”
A partir de 2026, os hubs funcionarão como escritórios de inovação, abrigando coletivos, organizações e negócios de economia verde e bioeconomia: setores em que populações negras, indígenas e periféricas já atuam historicamente, mas raramente são reconhecidas como protagonistas.
Iniciativas como essa contam também para a ampliação de iniciativas como a do Gateway das Periferias, articulação nacional liderada pela Palmares em parceria com outras quatro organizações. O objetivo é: reposicionar as periferias como produtoras de soluções climáticas.
Outra iniciativa que ganhou espaço durante essa COP, foi a Epicentro Jornalismo, que chegou à COP 30 reafirmando seu compromisso com uma cobertura que parte dos territórios e devolve protagonismo a quem vive na linha de frente da crise climática.
Em meio ao excesso de discursos oficiais, a Epicentro escuta quebradas, ilhas, florestas e periferias produzindo jornalismo de profundidade, que denuncia, contextualiza e confronta as chamadas ‘falsas soluções’. Com reportagens ancoradas nas experiências de povos indígenas, juventudes negras, agricultores familiares, comunicadores populares e defensoras ambientais, a Epicentro se posiciona como um observatório crítico do clima, revelando contradições, disputas e potências que muitas vezes ficam fora do noticiário tradicional.
Incidência em Adaptação: o debate global visto da Amazônia
O pesquisador e articulador da Palmares, Alex, acompanhou diretamente as negociações do Global Goals of Adaptation (GGA), conjunto de indicadores globais que serão referência para medir a implementação da adaptação climática em todos os países.
“Falar de adaptação é falar da nossa vida cotidiana na Amazônia. Os indicadores do GGA só têm sentido se conversarem com o território. A Palmares, junto a parceiros da América Latina, defendeu que a aprovação desses indicadores precisa considerar a realidade das comunidades que vivem na linha de frente das mudanças climáticas.” Defende Alex.
Alex também lembrou que países do grupo africano tentaram adiar a aprovação, o que gerou mobilização intensa entre organizações latino-americanas. Para Kimberly, diretora regional da Amazônia na Palmares Lab, a COP30 evidenciou não apenas a força da mobilização amazônica, mas também o tamanho das barreiras impostas pela desinformação e pela xenofobia.
“Ao ver o vídeo do incêndio, me choquei com comentários dizendo que ninguém se mobilizou, que não havia brigadistas. Em menos de um minuto era possível ver dezenas de brigadistas em ação. O fogo foi controlado em seis minutos. Belém mostrou que está preparada, e que sua população é politicamente ativa e resistente.” Conta Kimberly.
A diretora reforça que a atuação climática não pode depender apenas de grandes eventos, sendo que a COP 30 terminou, mas os desafios continuam no território. É importante enxergar a COP 30 como um ponto de partida e não um ponto final, sendo assim, A Palmares já se articula para influência na COP31, que será realizada na Turquia em parceria com a Austrália, ampliando sua atuação internacional em adaptação e justiça climática.






