Escassez de médicos na região Norte: apenas 1,73 profissionais por mil habitantes

Enquanto o Sudeste apresenta a maior densidade e proporção de médicos, com 3,76 profissionais por mil habitantes, a região Norte conta com apenas 1,73 médicos

A região Norte do Brasil enfrenta um desafio persistente: a escassez de profissionais médicos, mesmo diante do aumento significativo registrado em todo o país. De acordo com dados recentes da Demografia Médica CFM, em 2024, o Brasil conta com um total de 575.930 médicos ativos, representando uma proporção de 2,81 profissionais por cada mil habitantes. No entanto, o destaque é para a disparidade regional, onde a região Norte apresenta a menor proporção de médicos, com apenas 1,73 profissionais por mil habitantes.

O aumento expressivo no número de médicos no Brasil, que cresceu de 538.095 em 2022 para 572.960 em 2023, representando um incremento de 6,5%, é atribuído a fatores como a expansão do ensino médico e o aumento na demanda por serviços de saúde, conforme apontado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Paulo Bonilha, pediatra e sanitarista do Sistema Único de Saúde (SUS), destaca que essa expansão deve ser celebrada, pois representa um avanço no acesso da população aos cuidados médicos.

“Isso representa o maior acesso da população à médicos. É uma vitória de uma política pública do Ministério da Saúde, o programa Mais Médicos, que investiu na ampliação de faculdades de medicina. E o estímulo à vinda de médicos do exterior, emergencialmente, para garantir a assistência à população brasileira”, enfatiza Bonilha.

Entretanto, mesmo com esse crescimento, o número de médicos no Brasil ainda está distante da recomendação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que sugere uma proporção de 3,5 médicos para cada mil habitantes. Bonilha ressalta que o Brasil só deve atingir essa meta por volta de 2030, o que significa que ainda há desafios a serem enfrentados, incluindo a qualidade dos profissionais.

Um dos principais problemas evidenciados pelo estudo é a desigual distribuição de médicos pelo território brasileiro. Enquanto o Sudeste apresenta a maior densidade e proporção de médicos, com 3,76 profissionais por mil habitantes, a região Norte continua a enfrentar escassez, com apenas 1,73 médicos por mil habitantes. Cesar Lima, especialista em orçamento, destaca que essa disparidade reflete um problema estrutural antigo do Brasil.

“Enquanto no Sul temos quase oito médicos para cada mil habitantes, no interior do Amazonas não chegamos a um quarto de profissionais para cada mil habitantes, nós temos 0,2 médicos para cada mil. Eles preferem ficar em grandes centros, nas cidades maiores, até pelas condições de trabalho”, ressalta Lima.

Fonte: Brasil 61

Edição: Thayssa Castro

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